Presidente brasileiro disse que Trump pode ter preferências políticas, mas cobrou respeito à soberania nacional
Genebra (Suíça) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu, nesta quarta-feira (17), declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o cenário político brasileiro. A fala ocorreu em entrevista coletiva após a participação de Lula em agendas ligadas ao G7.
Lula afirmou que Trump tem o direito de manter preferências políticas e ideológicas. No entanto, cobrou que o presidente norte-americano não interfira no processo eleitoral brasileiro.
“Eu acho que ele tem o direito de ter as preferências eleitorais dele, as preferências ideológicas dele. Eu só espero que ele não fira o Código de Ética entre as nações que querem ser respeitadas em sua soberania. Só espero isso. Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem problema. É um problema dele. Afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil”, disse Lula.
Declaração veio após crítica de Trump
A reação de Lula ocorreu depois de Trump criticar a situação política brasileira durante entrevista coletiva no G7. O presidente dos Estados Unidos afirmou que o Brasil estaria “politicamente perigoso” e comentou a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
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Na fala, Trump confundiu Eduardo com Flávio Bolsonaro, senador apontado como possível nome da oposição para a disputa presidencial de 2026. Segundo veículos nacionais e internacionais, o norte-americano citou “Bolsonaro Jr.” ao comentar o caso.
“Ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque fez uma declaração no Texas. Eles agem com bastante dureza. Mas ninguém age com mais dureza do que os Estados Unidos. Nossas eleições são totalmente fraudadas”, declarou Trump.
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Lula defende sistema eleitoral brasileiro
Além de rebater Trump, Lula defendeu o modelo eleitoral brasileiro. Segundo ele, os Estados Unidos poderiam aprender com o Brasil a realizar eleições “mais tranquilas”.

O presidente também elogiou o sistema de votação por urnas eletrônicas. Para Lula, a rapidez na apuração demonstra a eficiência da Justiça Eleitoral brasileira.
“Os Estados Unidos poderiam aprender com o Brasil a fazer eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas. Não tem país no mundo que tenha um sistema de urna eletrônica como o nosso, em que, duas horas após o encerramento da votação, a gente já sabe o resultado nos 27 estados da Federação”, afirmou.
Em seguida, Lula voltou a comparar o modelo brasileiro ao sistema de voto em papel ainda usado em parte dos Estados Unidos.
“A gente não fica no século passado, com voto em papel. Uma lista com 500 nomes, a gente não fica. Então, se tem alguém que precisa aprender com as eleições civilizadas do Brasil, é o meu amigo Trump”, completou.
Episódio amplia tensão diplomática
As declarações ocorrem em meio a um cenário de tensão entre Brasil e Estados Unidos. Nos últimos meses, Trump já havia criticado decisões envolvendo Jair Bolsonaro e aliados do ex-presidente.
Além disso, a condenação de Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal passou a repercutir no governo norte-americano. Segundo a Associated Press, o Departamento de Estado dos EUA criticou a decisão e associou o caso a uma suposta perseguição política.
O governo brasileiro, por sua vez, tem defendido que assuntos eleitorais e judiciais do país devem ser tratados dentro das instituições nacionais. Por isso, Lula usou a entrevista para reforçar o discurso de soberania.
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