Por Jota Garcia
A campanha eleitoral no Amazonas ganhou um novo e desconfortável destaque nos últimos dias: o nome de um assessor direto do senador que disputa o governo do Estado aparece estampado em todos os portais, blogs e rodas de conversa política de Manaus, envolvido em graves acusações de estupro e importunação sexual. O que chama ainda mais atenção, porém, é a semelhança gritante entre seus métodos e as práticas que marcaram a trajetória do próprio candidato — e que agora voltam para cobrar o preço.
O aprendiz que copiou o mestre
Conhecido antes mesmo da atual disputa por sua habilidade única de “puxar saco” e transformar bajulação em espaço de poder, o auxiliar acumula contratos milionários na máquina pública estadual.
Para manter esses privilégios, não hesitou em repetir a cartilha que viu de perto: perseguição sistemática, assédio a jornalistas e uso da influência política para blindar interesses próprios, ao invés de prestar contas à população.
Essa mesma estratégia, aliás, já havia sido testada — e aplicada — pelo senador candidato ao longo de sua carreira.
Quando o Blog do Pávulo começou a revelar as fraudes palacianas que depois deram origem à Operação Maus Caminhos, foi alvo de uma verdadeira caçada: decisões judiciais questionáveis, pedidos de censura e ações movidas com o claro objetivo de silenciar quem não se curvava aos interesses de grupos políticos.
Na época, o senador usou todo o seu peso institucional e articulação com aliados no Judiciário para tentar calar a denúncia .
Hoje, o cenário se inverteu. O candidato que sempre armou, perseguiu e recorreu a decisões de “juízes amigos” para atingir adversários, vê seu aprendiz sentado nu na janela — recebendo uma enxurrada de críticas ácidas por reproduzir exatamente o mesmo modelo de assédio jurídico e político que aprendeu ao lado do senador.
Quem denunciou primeiro, nunca recuou
É importante lembrar: o Blog do Pávulo foi um dos primeiros a levantar as suspeitas que serviram de base para a Operação Maus Caminhos, que investiga desvios de mais de R$ 200 milhões da saúde pública amazonense. Pagamos um preço alto por essa coragem: nossa equipe foi ameaçada, nossa segurança colocada em risco e chegaram a colocar “preço em nossas cabeças” por não nos calarmos.
Mas seguimos vivos, firmes e sem jamais ter nos curvado a pressões.
Nunca fomos aliados de associação A ou B. Nossa linha sempre foi clara: caminhamos ao lado da legalidade, do direito à opinião, da livre expressão — e sem aceitar trocas de favores, apoios ou conchavos que comprometam a verdade. A tempestade jurídica que tentou nos derrubar só mostrou que a informação independente incomoda quem tem algo a esconder.
A conta que não pode ser adiada
Agora, o assessor e o próprio candidato precisam entender uma regra que não tem exceção na política: a conta chega — e quem vive de bajulação, perseguição e uso indevido do poder acaba tendo que pagar por cada ato.
O eleitor amazonense já percebeu que não basta falar em “mudança” ou “honestidade” nos discursos de palanque. É preciso mostrar que não se usa o cargo para proteger quem comete crimes, nem para silenciar quem fiscaliza. O candidato que abriga em seu círculo mais próximo pessoas com acusações tão graves, e que compartilha com elas a mesma cultura de intimidação, não pode esperar que a população feche os olhos.
Chegou a hora de cada um assumir o que fez. O puxa-saco toma o seu veneno — e o candidato que o mantém ao lado vai levar a maior punição: a decisão soberana das urnas, que não costuma perdoar quem confunde o poder público com benefício pessoal.
Este artigo segue os princípios da liberdade de expressão e do jornalismo investigativo, fundamentais para a democracia. As informações aqui apresentadas baseiam-se em notícias veiculadas em veículos de comunicação independentes e em fatos que tramitam nos órgãos competentes, cabendo à Justiça analisar e julgar as acusações conforme a lei.






