Coluna do Jota Garcia

PF apura se Banco Master deu apartamento de R$ 2,5 milhões a Jaques Wagner

Foto: @vinicius.foto
Investigação também mira supostos repasses a empresa ligada à esposa do enteado do senador

Brasília – A Polícia Federal apura suspeitas de que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, teria recebido vantagens ligadas ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. A investigação inclui a suspeita de repasses por meio de uma empresa ligada à esposa do enteado do parlamentar e de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.

A nova fase da Operação Compliance Zero ocorreu nesta quinta-feira (18). A PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou as medidas.

Segundo a Reuters, a Polícia Federal confirmou que investiga possível envolvimento de agente público em um esquema ligado a irregularidades no sistema financeiro nacional. A corporação, no entanto, não citou nomes no comunicado oficial.

Material apreendido levou a nova fase da operação

A apuração avançou após a análise de materiais apreendidos com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Ele também voltou a ser alvo de buscas nesta etapa da operação.

PF faz busca e apreensão no Brasília Palace, onde o líder do governo Jaques Wagner mora – Gabriela Biló/Folhapress

De acordo com a investigação, a PF apura pagamentos feitos a Bonnie Bonilha, esposa de Eduardo Sodré Martins, enteado de Jaques Wagner. Os repasses teriam ocorrido por meio de uma consultoria.

Além disso, os investigadores analisam a relação entre Wagner e Augusto Lima. A decisão judicial cita viagens em aeronave ligada ao empresário e ingressos para um show em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Ingressos e viagem de jatinho entram na apuração

Segundo a decisão, a PF aponta que Wagner teria cobrado de Augusto Lima a compra de ingressos para um show de uma cantora internacional em Los Angeles, em junho de 2023.

Ainda conforme a investigação, Lima teria orientado uma secretária a comprar os ingressos para familiares do senador. A gestora de investimentos Reag teria feito a aquisição, no valor de R$ 63 mil à época.

A decisão também menciona uma viagem de Wagner à Ilha da Paixão, na Bahia, em outubro de 2023. Augusto Lima teria disponibilizado uma aeronave para o deslocamento.

Em outro episódio, em abril de 2024, Wagner teria pedido ajuda a Augusto Lima para uma viagem ao Rio de Janeiro. Na avaliação da PF, esses elementos indicariam proximidade entre o senador e o empresário.

Defesa de Augusto Lima nega irregularidades

A defesa de Augusto Lima criticou as buscas e afirmou que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades.

“As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração”, afirmaram os advogados Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebastián Mello.

Os defensores também sustentaram que os fatos investigados são lícitos.

“De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos. Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”, diz a nota.

Wagner ainda não havia se manifestado

Procurado por veículos de imprensa, Jaques Wagner ainda não havia se manifestado até a publicação das primeiras reportagens sobre a operação. A Reuters também registrou que representantes do senador não responderam imediatamente ao pedido de comentário.

Policiais federais fizeram buscas em endereços ligados a Wagner e Augusto Lima em Salvador. As equipes também estiveram em um hotel em Brasília onde o senador mora.

Além disso, a PF cumpriu mandado em um endereço de Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner e marido de Bonnie Bonilha, em Salvador.

Operação Compliance Zero mira esquema ligado ao Banco Master

A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de irregularidades relacionadas ao Banco Master. O caso ganhou força após a crise da instituição financeira e a prisão de Daniel Vorcaro.

Segundo a imprensa nacional, a nova fase ampliou a investigação para o núcleo político. Agora, a PF busca esclarecer se houve repasses, vantagens indevidas ou favorecimento ligado a agentes públicos.

Até o momento, a investigação segue em andamento. Portanto, os citados ainda não foram condenados no caso e devem ter direito à ampla defesa e ao contraditório.

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