MANAUS — No Amazonas, 62,1 mil estudantes de 13 a 17 anos (22,9%) relataram ter sofrido algum tipo de violência sexual, segundo a PeNSE 2024 (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar), divulgada pelo IBGE. O índice fica acima da média nacional (18,5%) e também supera a média da Região Norte (20,7%).
Ao todo, o estado tem 271.287 estudantes nessa faixa etária.
Meninas relatam mais casos
Entre as meninas, o percentual sobe para 29,9%: elas afirmaram ter passado por situações em que alguém tocou, manipulou, beijou ou expôs partes do corpo contra a vontade. Considerando 134.471 estudantes do sexo feminino, isso equivale a cerca de 40,2 mil adolescentes.
Entre os meninos, o índice é de 15,9%, o que representa aproximadamente 21,7 mil estudantes entre 136.815 adolescentes.
No recorte nacional, o percentual entre meninas é de 26%, abaixo do registrado no Amazonas.
Coerção e ameaça para ato sexual também ficam acima da média
Outro dado da pesquisa indica que 14% dos estudantes do Amazonas já foram ameaçados, intimidados ou obrigados a manter relação sexual ou outro ato sexual contra a vontade — o equivalente a 37,9 mil adolescentes.
Esse índice também supera:
- Região Norte: 11,7%
- Brasil: 8,8%
Entre as meninas, a coerção chega a 17,1% (aprox. 22.995 adolescentes). Já entre os meninos, fica em 11,0% (cerca de 15.049).
Assim, os dados apontam que, além de episódios sem consentimento, uma parcela relevante enfrenta situações mais graves, envolvendo ameaça e coerção.
Rede pública e privada têm percentuais parecidos
A diferença entre redes de ensino aparece como pequena nesse indicador:
- Rede pública: 22,9%
- Rede privada: 21,8%
No Amazonas, a rede pública concentra 253.390 estudantes (93,4% do total). Já 17.897 frequentam escolas particulares.
Outros recortes sociais: acesso a tecnologia e ambiente familiar
A pesquisa também traz indicadores de contexto. No Amazonas:
- 37,6% dos estudantes têm computador ou notebook em casa
- 87,5% têm acesso à internet
No ambiente familiar, 52,9% vivem com pai e mãe — cerca de 143.519 adolescentes. Outros 32,7% moram apenas com a mãe, enquanto 7,6% não residem com nenhum dos dois responsáveis.
Além disso, 8,8% afirmaram já ter experimentado drogas ilícitas ao menos uma vez — acima da média nacional (8,3%).
Manaus também supera a média entre capitais
Na capital, os índices seguem elevados.
- Toque/beijo/exposição sem consentimento: 22,2% (acima da média das capitais, 20%)
- Meninas: 30,8%
- Meninos: 14%
- Ameaça/intimidação/coerção para ato sexual: 12,8% (acima da média das capitais, 8,9%)
- Meninas: 16,7%
- Meninos: 9,1%
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