Coluna do Jota Garcia

Cinco empresas são desclassificadas em licitação para trecho da BR-319

Foto: Reprodução
Construtora Soberana, de Manaus, foi convocada pelo Dnit para apresentar documentação de habilitação no Lote 3

Manaus – Cinco empresas já foram desclassificadas na licitação para a repavimentação de 36,5 quilômetros do Trecho do Meio da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho. Após as inabilitações, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) convocou, nesta segunda-feira (15), a Construtora Soberana, sediada em Manaus, para apresentar a documentação de habilitação.

A disputa envolve o Lote 3 das obras de recuperação da rodovia. O trecho fica entre os quilômetros 433,1 e 469,6, no município de Manicoré, no interior do Amazonas.

O certame segue o Edital nº 129/2026 do Dnit. O valor estimado do contrato é de R$ 210,6 milhões.

Dnit divulgará justificativas ao fim do julgamento

Até o momento, o Dnit desclassificou cinco empresas no processo. No entanto, o pregoeiro informou que as justificativas completas das inabilitações serão divulgadas apenas ao final da fase de julgamento.

Foto: Arquivo/AC/Reprodução

“Os relatórios de análise de habilitação serão disponibilizados ao final da etapa de julgamento. Esta medida visa à preservação da isonomia, permitindo o mesmo prazo para que todos os interessados elaborem suas razões recursais”, afirmou.

A medida, segundo o órgão, busca garantir igualdade entre as empresas participantes e evitar vantagem indevida durante a fase de recursos.

LCM chegou a ser habilitada

A primeira empresa habilitada no Lote 3 foi a LCM Construção e Comércio S.A., de Belo Horizonte (MG). A construtora apresentou proposta de R$ 144,3 milhões.

O Dnit confirmou a habilitação em 12 de maio. Porém, após aceitar um recurso em 21 de maio, o órgão reabriu a fase de julgamento.

Lote 3: 36,5 quilômetros do Trecho do Meio da BR-319 Imagem: Reprodução

Com isso, o departamento convocou a segunda colocada, a Progressus Construção e Comércio, de Boa Vista (RR), que havia ofertado R$ 144,8 milhões.

A empresa, entretanto, não apresentou a documentação exigida. Por esse motivo, o Dnit passou a chamar as empresas seguintes na ordem de classificação.

Empresas foram chamadas em sequência

Após a Progressus, o Dnit convocou a Vitória Engenharia e Navegação Ltda., de Novo Aripuanã (AM), que apresentou proposta de R$ 147,4 milhões.

Na sequência, o órgão chamou a Construteq Construções e Serviços, de Brasília, com proposta de R$ 157,8 milhões.

Depois, a Madecon Engenharia, de Porto Velho (RO), entrou na fase de análise. A empresa apresentou proposta de R$ 158,015 milhões.

Às 10h18, no horário de Brasília, desta segunda-feira, o pregoeiro anunciou a desclassificação da Madecon.

“A documentação enviada pela empresa Madecon Engenharia foi submetida à análise do corpo técnico da Coordenação de Engenharia Terrestre, que, após verificação, constatou o não atendimento aos requisitos de habilitação técnica exigidos no edital”, informou.

Soberana entra na disputa

Com a saída da Madecon, o Dnit convocou a Construtora Soberana para apresentar os documentos de habilitação.

A empresa manauara apresentou proposta de R$ 158,036 milhões. Agora, o órgão analisará se a construtora atende aos requisitos técnicos e legais previstos no edital.

Caso a documentação seja aceita, a Soberana poderá avançar no processo para assumir o contrato do Lote 3.

Madecon também foi desclassificada em outros lotes

A Madecon Engenharia também sofreu desclassificações nas licitações dos Lotes 1 e 2 da BR-319, regidas pelos Editais nº 90130/2026 e nº 90128/2026.

Com isso, o pregoeiro convocou a quinta colocada em ambos os certames, a Construlagos Construtora e Empreendimentos, de Florianópolis (SC), para apresentar a documentação de habilitação.

No Lote 1, o Dnit já havia desclassificado a VF Construtora e Serviço, de Porto Velho, e a Vitória Engenharia e Navegação Ltda.

No Lote 2, o órgão também inabilitou a H L Montano Ltda., de Porto Velho, e a Vitória Engenharia e Navegação Ltda.

Governo publicou quatro editais para o Trecho do Meio

O governo federal publicou, em 13 de abril, quatro editais para a repavimentação de aproximadamente 340 quilômetros do Trecho do Meio da BR-319.

A abertura das propostas estava prevista para os dias 29 e 30 de abril. No entanto, uma decisão da Justiça Federal do Amazonas suspendeu os editais em 29 de abril.

A suspensão ocorreu em uma ação ajuizada pelo Observatório do Clima. A entidade questionou o enquadramento das obras como serviços de manutenção.

Essa classificação permitiu ao Dnit dispensar o licenciamento ambiental com base no novo Marco do Licenciamento Ambiental, aprovado pelo Congresso Nacional em 2025 e em vigor desde fevereiro de 2026.

TRF1 liberou continuidade das licitações

Ainda em 29 de abril, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) suspendeu a liminar e autorizou a continuidade das licitações.

Depois disso, o Dnit republicou os editais. Duas concorrências foram marcadas para 4 de maio, e outras duas para 20 de maio.

As mudanças na legislação ambiental foram decisivas para destravar as obras no Trecho do Meio da BR-319. Durante anos, a recuperação desse segmento enfrentou exigências ambientais e disputas judiciais.

Com o novo marco, intervenções em rodovias anteriormente asfaltadas, como a BR-319, passaram a poder avançar sem necessidade de licenciamento ambiental específico.

Lote 4 já teve contrato homologado

A primeira licitação concluída foi a do Edital nº 90127/2026, referente ao Lote 4.

Em 25 de maio, o Dnit homologou o resultado e adjudicou o contrato à Construtora Etam pelo valor de R$ 362 milhões.

A proposta ficou cerca de 16% abaixo do valor estimado, que era de R$ 430 milhões.

As outras três licitações continuam em andamento, ainda nas fases de apresentação e análise de propostas.

Lula assinou ordem de serviço em Manaus

Durante visita a Manaus em 27 de maio, o presidente Lula assinou a ordem de serviço para o início das obras do Lote 4, sob responsabilidade da Construtora Etam.

“Para autorizar a fazer essa estrada, estamos discutindo há meses qual o sistema de segurança ambiental mais seguro”, disse Lula; na imagem, presidente em visita ao trecho em obra da BR 319 Foto: Poder360

Na mesma ocasião, o governo federal também autorizou a substituição de três pontes de madeira por estruturas de concreto nos igarapés Santo Antônio, Realidade e Fortaleza.

Essas obras estão orçadas em R$ 19,4 milhões.

Lula também visitou as obras do chamado Lote Charlie, ou Lote C da BR-319, que corresponde ao trecho entre os quilômetros 198 e 250 da rodovia.

Obras seguem em diferentes frentes

O Lote 1C, entre os quilômetros 198,20 e 218,20, tem valor contratual de R$ 163,5 milhões.

Segundo o governo federal, até dezembro de 2025, as equipes haviam concluído cerca de 11 quilômetros de pavimentação, entre os quilômetros 198,20 e 209,20.

Esse avanço representa aproximadamente 42% de execução física.

Também segue em andamento o processo de contratação previsto no Edital nº 326/2025-01. O certame trata da elaboração dos projetos básico e executivo e da execução das obras remanescentes do Lote 2C da BR-319, no segmento entre os quilômetros 218,20 e 250.

BR-319 segue no centro do debate amazônico

A recuperação da BR-319 é uma das obras de infraestrutura mais debatidas da Amazônia.

Defensores da pavimentação afirmam que a rodovia pode reduzir o isolamento terrestre do Amazonas e melhorar o transporte entre Manaus e Porto Velho.

Por outro lado, entidades ambientais alertam para o risco de aumento do desmatamento, avanço da ocupação irregular e pressão sobre áreas sensíveis da floresta.

Enquanto esse debate continua, o Dnit avança com os processos de contratação dos lotes e tenta concluir as etapas de habilitação das empresas participantes.

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