Enquanto a Semulsp é alvo de inquérito da Polícia Federal, a CMM registra R$ 25,5 milhões em despesas e convoca aprovados de concurso questionado
Manaus – O secretário municipal de Limpeza Pública, Sabá Reis, e o filho dele, o presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), vereador David Reis (Avante), voltaram ao centro de questionamentos envolvendo apurações judiciais, financeiras e administrativas.
No Executivo municipal, a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), comandada por Sabá Reis, aparece em inquérito da Polícia Federal que investiga suspeitas de emissão de notas fiscais frias.
Já no Legislativo, a gestão de David Reis acumula R$ 25,59 milhões em despesas registradas no último trimestre e avança na convocação de servidores aprovados em um concurso público de 2024 que foi alvo de denúncias de fraudes no Ministério Público do Amazonas (MPAM).
Concurso da CMM segue sob questionamentos
A presidência da Câmara Municipal de Manaus informou que o dia 1º de dezembro de 2026 marcará a posse dos candidatos aprovados no concurso público de 2024.
David Reis afirma que o ato encerrará o certame após etapas administrativas e jurídicas.
No entanto, a convocação dos novos servidores ainda ocorre sob sombra de questionamentos. O processo seletivo foi alvo de denúncias de irregularidades no âmbito do MPAM.
Entre os pontos apontados pelo Ministério Público estão o rompimento de lacres de malotes de provas e a aprovação do genro e da filha de um servidor do alto escalão da CMM, que participava da comissão organizadora do concurso.
Os dois foram aprovados para os cargos de procurador e médico, sem histórico conhecido de aprovação em outros certames, segundo os apontamentos citados no caso.
Justiça permitiu continuidade parcial
Durante o julgamento que permitiu a continuidade parcial do concurso, a desembargadora Vânia Marques Marinho destacou que a CMM falhou ao não apresentar uma sindicância interna concluída.
Segundo a decisão, a Câmara não comprovou a contaminação de todo o processo seletivo.
A medida buscou proteger candidatos aprovados de boa-fé.
Apesar disso, o mérito das supostas fraudes apontadas segue sem resolução definitiva. Por isso, a nomeação dos aprovados ainda pode ficar sob análise em eventuais novos desdobramentos judiciais.
CMM registra R$ 25,59 milhões em despesas
Paralelamente ao andamento do concurso, a Câmara Municipal de Manaus registrou movimentação de R$ 25,59 milhões entre março e junho de 2026.
A maior parcela desse valor, R$ 6,77 milhões, foi destinada a contratos de tecnologia e telecomunicações.
Outros R$ 3,1 milhões foram direcionados à manutenção de frota e apoio administrativo.
Além disso, a Casa destinou R$ 2,77 milhões à reestruturação técnica da Rádio Câmara.
No mesmo período, a CMM liberou R$ 5,91 milhões em aportes previdenciários extraordinários para cumprir determinação judicial referente ao pagamento de inativos e pensionistas.
Contrato de R$ 276 mil para locação de imóvel
O Diário Oficial do Legislativo Municipal também registrou a homologação de um contrato de R$ 276 mil com a empresa Lux Tecnologia.
A empresa venceu pregão eletrônico para a locação de um imóvel comercial destinado ao armazenamento de bens da Câmara Municipal de Manaus.
Questionada sobre o volume de despesas, a assessoria da presidência da CMM informou que todos os processos licitatórios e gastos cumprem rigorosamente as exigências de transparência e os ritos da Nova Lei de Licitações, a Lei nº 14.133/2021.
A Câmara também afirmou que os gastos visam à manutenção das atividades do Legislativo municipal.
Semulsp aparece em inquérito da Operação Dente de Marfim
No âmbito do Executivo municipal, Sabá Reis e o subsecretário Altervi de Souza Moreira aparecem como alvos de um inquérito desdobrado da Operação Dente de Marfim.

A operação foi deflagrada pela Polícia Federal e pela Receita Federal em junho de 2023.
A investigação apura um suposto esquema que teria usado empresas de fachada para emitir R$ 48 milhões em notas fiscais frias no setor de limpeza pública de Manaus.
Documentos citam notas de R$ 2,26 milhões
Documentos da Justiça Federal descrevem a emissão de R$ 2,26 milhões em notas com a descrição de “serviços advocatícios” para a Mamute Conservação, Construção e Pavimentação Ltda.
A empresa atua na área de limpeza e concentra suas receitas em contratos com a Prefeitura de Manaus.
De acordo com os autos, os sócios do escritório de advocacia envolvido não declararam à Receita Federal os valores recebidos.
O inquérito avalia a possível prática de crimes de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.
Justiça Federal retira sigilo dos autos
O juiz federal Thadeu José Piragibe Afonso determinou o levantamento do sigilo dos autos.
Na decisão, o magistrado justificou que não havia informações sensíveis que exigissem restrição de acesso.
Ele também estabeleceu prazo de 30 dias para que o Ministério Público Federal (MPF) se manifeste sobre o inquérito.
Além disso, autorizou o compartilhamento irrestrito das provas, permitindo que outros órgãos conduzam apurações nas esferas cível e administrativa.
Pai e filho sob pressão política
As apurações colocam pai e filho sob pressão em duas frentes distintas da administração pública.
Sabá Reis enfrenta questionamentos ligados à Semulsp e ao setor de limpeza pública.

David Reis, por sua vez, administra o desgaste envolvendo o concurso público da CMM, o volume de despesas da Casa e a convocação de novos servidores.
Até o momento, as investigações e questionamentos não representam condenação.
Os citados seguem com direito à ampla defesa e ao contraditório.
Espaço aberto
O espaço permanece aberto para manifestação de Sabá Reis, David Reis, Semulsp, Câmara Municipal de Manaus, Mamute Conservação, Construção e Pavimentação Ltda., Lux Tecnologia e demais citados.
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