Valor aparece em proposta de delação de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, rejeitada pela Polícia Federal
Brasília – A segunda proposta de delação premiada apresentada pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, cita supostos repasses ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Segundo reportagem publicada pela revista Veja nesta quinta-feira (11/6), Vorcaro teria relatado um pagamento de US$ 30 milhões ao senador. O valor equivale a cerca de R$ 155 milhões na cotação atual.
De acordo com a publicação, o ex-banqueiro teria direcionado o dinheiro a uma conta no exterior. Depois, o valor teria chegado a Alcolumbre como suposta contrapartida pelo apoio do parlamentar a uma demanda de interesse do Banco Master.

Ainda conforme a proposta de delação citada pela revista, Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, teria intermediado a operação.
Até o momento, Alcolumbre não se manifestou publicamente sobre o caso.
PF recusou nova proposta de delação
A defesa de Daniel Vorcaro apresentou a segunda proposta de colaboração premiada às autoridades. No entanto, a Polícia Federal recusou o novo acordo nesta quarta-feira (10/6) e informou a decisão ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, a proposta não trouxe fatos inéditos nem elementos relevantes para o avanço das investigações da Operação Compliance Zero.
Além disso, os investigadores entenderam que os novos relatos repetiam pontos já conhecidos da apuração. Por isso, a corporação rejeitou a tentativa de acordo pela segunda vez.
Operação apura suspeitas no Banco Master
Daniel Vorcaro é um dos principais alvos da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa ligadas ao Banco Master.
O caso ganhou repercussão nacional porque envolve o sistema financeiro, agentes públicos e possíveis relações políticas do ex-banqueiro.
Apesar das citações na proposta de delação, os relatos ainda dependem de comprovação. Além disso, como a PF recusou o acordo, as informações não representam prova definitiva contra os citados.
Proposta também menciona Rueda e PT da Bahia
A segunda proposta de delação também menciona supostos pagamentos ao presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e a integrantes do PT da Bahia.

Rueda nega irregularidades. Ele afirma que não tem relação pessoal com Vorcaro. No entanto, reconhece que seu escritório de advocacia prestou serviços ao Banco Master.
Já Rui Costa, citado no contexto de operações ligadas ao programa Credcesta na Bahia, também nega proximidade com o ex-banqueiro. Segundo o petista, ele encontrou Vorcaro apenas uma vez, em agenda institucional.
Além disso, Rui Costa defende que as autoridades apurem todos os fatos.
Relatos precisam de provas independentes
A citação ao nome de Davi Alcolumbre amplia a pressão política sobre o Congresso. Também aumenta a atenção sobre os desdobramentos do caso Master.
No entanto, os supostos repasses ainda precisam passar por comprovação documental, rastreamento financeiro e análise dos órgãos responsáveis.
Em casos de delação premiada, relatos de investigados precisam vir acompanhados de provas independentes. Só assim podem sustentar medidas judiciais ou eventual responsabilização.
Caso pode ter novos desdobramentos
Com a nova recusa da Polícia Federal, a defesa de Vorcaro ainda pode tentar apresentar elementos adicionais às autoridades.
Enquanto isso, a Operação Compliance Zero segue apurando a estrutura financeira ligada ao Banco Master. A investigação também busca identificar possíveis beneficiários do esquema e mapear relações entre o ex-banqueiro e agentes públicos.
A decisão final sobre eventuais medidas no caso caberá ao Supremo Tribunal Federal, onde tramita parte da apuração.
A reportagem deixa espaço aberto para manifestação de Davi Alcolumbre, Daniel Vorcaro, Augusto Lima e demais citados.
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