WASHINGTON — O presidente Donald Trump voltou a recuar e anunciou que vai estender a moratória de ataques ao sistema energético do Irã até a segunda-feira após a Páscoa, 6 de abril. Ele divulgou a medida na Truth Social e afirmou que, “ao contrário do que diz a mídia das fake news”, as conversas com Teerã “vão muito bem”.
A decisão ocorre em meio a uma negociação instável, marcada por ameaças públicas, recados contraditórios e pressão militar no Golfo.
Linha do tempo do “ultimato”
Trump havia ligado a escalada militar a um prazo para o Irã reabrir o Estreito de Ormuz.

- No sábado (21), ele fez o ultimato.
- Na segunda (23), suspendeu a ameaça até sábado (28).
- Agora, ele empurra o prazo para 6 de abril, depois da Páscoa.
Irã rejeita proposta “unilateral”, mas mantém canal aberto
Nesta quinta-feira, o Irã deixou claro que rejeitou a proposta americana. Segundo a Reuters, Teerã considerou o texto “unilateral e injusto”, embora tenha sinalizado que aceita seguir negociando.
A agência iraniana Tasnim informou que o país já enviou, por meio de turcos e paquistaneses, sua posição considerada maximalista. O pacote inclui:
- fim da guerra;
- garantias concretas contra novos ataques;
- compensações por danos;
- manutenção do controle sobre Ormuz.
Sobre o programa nuclear, a linha iraniana segue a mesma: não abre mão da capacidade de enriquecer urânio.
Plano americano tem pontos “inaceitáveis” para Teerã
Trump teria apresentado, via Paquistão, um plano de 15 pontos. Ele repetiria itens já discutidos antes — como a renúncia à bomba nuclear —, mas também colocaria exigências que o Irã considera inviáveis, como:

- desmantelamento total das capacidades nucleares;
- desmontagem do programa de mísseis ofensivos.
Trump alterna ameaça e trégua
Antes de adiar o ultimato novamente, Trump atacou o Irã nas redes. Ele escreveu que os negociadores iranianos seriam “diferentes e estranhos” e subiu o tom com o estilo de sempre, em letras maiúsculas.
Mais tarde, na Casa Branca, ele reforçou o discurso agressivo diante de repórteres. Ainda assim, poucas horas depois, publicou a nova prorrogação da moratória, o que aumenta a leitura de que Washington tenta ganhar tempo.
EUA ganham tempo para reforçar tropas e pressionar no terreno
O texto aponta que o adiamento pode servir para esperar a chegada de tropas e manter a ameaça de ação terrestre como instrumento de pressão.
Nesta sexta (27), deve chegar à região o primeiro grupo de 2.500 fuzileiros navais em uma flotilha. Outro grupo pode desembarcar até o fim da próxima semana, já no novo horizonte do ultimato. Há ainda relatos de possível mobilização de até 2.000 paraquedistas.
No mercado, o risco de escalada pesou: o Brent subiu para US$ 105 o barril.
Alvos em debate: Kharg e a costa de Ormuz
Nos bastidores, crescem especulações sobre possíveis cenários militares. Um deles mira a ilha de Kharg, por onde sai grande parte do petróleo iraniano. Outro cogita a tomada de trechos da costa de Ormuz.

Ambas as hipóteses envolvem alto risco e custo político, além de dificuldades de sustentação no médio prazo.
Paquistão vira interlocutor e Israel enfrenta pressão interna
O Paquistão atua como intermediador — um papel visto como curioso diante de atritos recentes com o Irã.
Ao mesmo tempo, surgiram relatos de que os EUA pediram a Israel para retirar dois nomes da lista de alvos por estarem ligados às conversas.
Em Israel, a crise interna também cresce. Segundo o Canal 13, o chefe do Exército, Eyal Zamir, teria alertado o gabinete sobre a necessidade de novas leis de mobilização e de estender o serviço militar obrigatório. Ele teria citado “dez bandeiras vermelhas” sobre o risco de o sistema atual não suportar o cenário prolongado.
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