Coluna do Jota Garcia

Vazamento de estireno em Manaus: multas aplicadas à Innova ultrapassam R$ 22 milhões

Vazamento de gás em Manaus bombeiros seguem resfriando tanques 14 horas após o incidente — Foto: William Duarte/Rede Amazônica
Prefeitura e Governo do Amazonas aplicaram novas penalidades após inspeções apontarem fissuras no tanque e poluição ambiental

Manaus (AM) – As multas aplicadas à Innova após o vazamento de estireno chegaram a R$ 22.401.600. Nesta sexta-feira (17), a Prefeitura de Manaus e o Governo do Amazonas anunciaram novas autuações contra a empresa.

A Prefeitura multou a companhia em R$ 5.347.300 por poluição do solo e de corpo hídrico. Horas depois, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aplicou outra penalidade, no valor de R$ 12,5 milhões, por poluição atmosférica.

Anteriormente, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) já havia multado a Innova em R$ 4.554.300. A primeira autuação tratou da emissão de vapores na atmosfera.

Assim, as três multas ultrapassaram R$ 22 milhões. No entanto, a empresa ainda poderá apresentar defesa administrativa.

Drones identificam fissuras no tanque

As novas autuações ocorreram após inspeções técnicas na unidade da Innova, no Polo Industrial de Manaus. Durante a fiscalização, drones com câmeras térmicas identificaram fissuras em parte do tanque.

Imagem: Reprodução

Além disso, as equipes constataram que o reservatório continuava liberando vapores de estireno. A emissão, porém, apresentava intensidade menor do que no início da ocorrência.

A operação reúne técnicos da Semmas, do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) e da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). A Defesa Civil de Manaus também participa da força-tarefa.

“Estamos realizando o monitoramento com o uso de dois drones de alta precisão”, afirmou o diretor de Fiscalização da Semmas, Cezar Lopes.

Segundo ele, químicos e outros especialistas acompanham a situação. Paralelamente, o Ipaam analisa os possíveis impactos ambientais provocados pelo vazamento.

Os valores das multas municipais irão para o Fundo Municipal para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (FMDMA). O Governo do Amazonas, entretanto, não informou o destino do valor aplicado pelo Ipaam.

Mais de 200 pacientes procuraram atendimento

Até as 15h30 desta sexta-feira, a rede estadual de saúde atendeu 211 pessoas após o vazamento. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), os pacientes relataram falta de ar, náusea, dor de cabeça, tontura e desmaio.

Fábrica da Innova, em Manaus. — Foto: Alexandro Pereira/Rede Amazônica

Do total, apenas um paciente continuava internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A SES-AM informou que ele apresenta recuperação e baixo risco de morte.

A secretaria também registrou a morte de um homem de 67 anos que procurou atendimento após relatar mal-estar. Contudo, o paciente tinha histórico de doença respiratória crônica.

Até o momento, a equipe médica não constatou relação direta entre o vazamento e a morte. Portanto, o caso ainda não integra oficialmente o balanço de vítimas fatais do incidente.

Bombeiros continuam resfriando tanque

O vazamento começou às 17h36 de quarta-feira (15). Conforme a Innova, o monômero de estireno armazenado em um dos três tanques apresentou uma elevação anormal de temperatura.

Foto: Divulgação

Diante do aumento da pressão, os dispositivos de segurança liberaram vapores para evitar consequências mais graves. Desde então, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) trabalha no resfriamento do reservatório.

Mais de 48 horas após o início da ocorrência, as equipes ainda atuavam no local. Segundo os Bombeiros, cerca de 80% do material liberado nesta sexta-feira consistia em partículas de água.

A concentração de estireno, por outro lado, caiu em comparação com o início do vazamento. Ainda assim, os órgãos ambientais mantiveram o monitoramento.

Vídeos gravados por trabalhadores mostraram uma nuvem branca e densa sobre a área dos tanques. Em seguida, os vapores se espalharam pelo pátio da Innova e alcançaram fábricas próximas.

Área permanece isolada

O Corpo de Bombeiros isolou um raio de 300 metros ao redor do tanque. Além disso, as autoridades retiraram os trabalhadores de uma empresa vizinha.

Somente profissionais envolvidos na operação podem acessar a área. Entre eles, estão integrantes dos Bombeiros, da Polícia Militar, da Defesa Civil e dos órgãos de saúde.

Agora, uma perícia deverá investigar as causas do superaquecimento. Segundo o comandante-geral dos Bombeiros, coronel Muniz, a principal hipótese envolve uma reação espontânea dentro do tanque.

“Uma vez que a molécula do estireno se quebra, ocorre uma reação em cadeia que vai superaquecendo o produto”, explicou.

Ainda conforme o comandante, a pressão poderia causar incêndio ou explosão sem a atuação das válvulas. Os dispositivos, portanto, liberaram o material por meio dos jatos verticais registrados durante o incidente.

Innova afirma que processo está perto do fim

Em nota, a Innova afirmou que seguiu os protocolos internos de emergência. A companhia também declarou que armazenou os resíduos para realizar o tratamento adequado.

Vazamento de gás tóxico em Manaus bombeiros seguem resfriando tanques após 41 horas — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Segundo a empresa, mais de 85% do material presente no tanque já passou pelo processo de polimerização e se solidificou. A Innova previa concluir a maior parte do procedimento até o fim da noite desta sexta-feira.

No entanto, pequenos resquícios de polimerização ainda podem ocorrer nos próximos dias. Por isso, equipes técnicas e órgãos públicos continuarão acompanhando a estrutura.

A companhia também afirmou que os outros tanques da unidade não apresentam riscos. Além disso, pediu desculpas pelos transtornos e informou que investiga a causa do superaquecimento.

Suframa cobra informações

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) informou que acompanha a ocorrência. A autarquia também solicitou informações detalhadas sobre as medidas de contenção adotadas pela Innova.

Segundo a Suframa, a empresa responde pela operação segura das instalações. Já os órgãos competentes deverão apurar as causas e os impactos ambientais, sanitários e trabalhistas.

O Blog do Pávulo também procurou o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam). A reportagem questionou se a entidade orientou as empresas próximas a liberar os funcionários.

Entretanto, o Cieam não respondeu até a última atualização desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.

Orientações de saúde

O estireno possui odor forte e adocicado e evapora com facilidade quando sofre aquecimento. A exposição pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta.

Além disso, o produto pode causar dor de cabeça, tontura, náusea, sonolência e dificuldade para respirar. Em situações mais graves, a pessoa pode apresentar confusão mental ou perda de consciência.

A Defesa Civil recomenda que a população siga as orientações atualizadas dos órgãos oficiais e evite a área isolada. Também orienta desligar aparelhos que puxam ar do ambiente externo.

Por fim, a SES-AM recomenda atendimento médico para qualquer pessoa que apresente sintomas após uma possível exposição. Em casos de emergência, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199.

Leia mais 🔗